16.3.11

Olhos aguados, a voz embargada e o desejo profundo de que seu filho não sinta tanto a sua falta a ponto de sofrer.



[Eu, eu em silêncio, eu com o coração apertado]

11.3.11

É natural que estudando uma outra língua nos peguemos pensando sobre os significados das palavras. Parece que por mais que saibamos falar, o significado, a potência da frase não é a mesma. O intrigante é que eu me pego pensando sobre o significado de palavras em português mesmo, minha língua nativa. Sinto em português, vivo em português.

A palavra que me ponho a pensar é RESPEITAR. Desde bem pequena ouço meus pais falarem, "me respeita", "respeita a tia da escola", "respeite as pessoas". Mas o que vem a ser respeitar? Fui procurar em dicionários de língua portuguesa e quase não encontro. Encontrei no Michaelis:

respeitar
res.pei.tar
(lat respectare) vtd 1 Testemunhar respeito a; tratar com respeito: Seus filhos o respeitam. vtd 2 Ter em consideração; acatar: Respeitar o direito e a justiça. vtd 3 Tratar segundo os preceitos da moral ou da urbanidade: Respeitar a família, os vizinhos, os passageiros de um transporte coletivo. vtd 4 Cumprir, observar, seguir: Respeitar a fé jurada, respeitar a religião. vtd 5 Honrar, reverenciar: Respeitam-lhe a memória. vpr 6 Fazer-se respeitado; impor-se ao respeito dos outros: Ele sabe respeitar-se. vti 7 Dizer respeito; pertencer, tocar: Estas circunstâncias respeitam à moralidade e à virtude. vtd 8 Não causar dano a; poupar: O tempo nada respeita. vtd 9 Recear temer: Todos respeitavam o touro vigoroso. vtd 10 Admitir, aturar, suportar: Respeitar o infortúnio.


"Não jogue lixo no chão", "dê preferência para pessoas idosas, grávidas, ou portadoras de deficiência física", "deixe a esquerda da escada livre"; use palavras com o "por favor", "obrigada". São tantos os exemplos que podemos atribuir a uma pessoa que sabe respeitar. Porque respeitar é um verbo, uma ação.

Respeitar é ter consideração, é pensar no outro, observar, cumprir com o que foi falado, não causar dano. Para mim respeitar é uma linha tênue. Você não é uma pessoa que respeita só porque não joga lixo no chão, porque sabe o melhor momento de usar as palavras obrigado e por favor; também não é quando cede o seu lugar para uma grávida, mas não considera o outro.

Respeitar vai além do que está nos dicionários, no dicionário tem uma pequena lista do que se atribui a pessoas que praticam esta ação. Pense sobre isso, pense o que é respeitar para você e veja que a lista é bem maior. No dicionário é só para se ter uma idéia, mínima idéia...



9.3.11


"Não espere nada em troca" - quantas vezes já ouvi essa frase. Lembro de ter ouvido até em aulas de história, uma versão diferente, mas com o mesmo significado. "Doe, sem olhar para quem".

Viver sob isso deve ser maravilhoso. Mas a espera está lá sempre, a mão que você oferece continua esticada esperando alguma coisa em troca.
"Aproveitando que eu estava no supermercado, lembrei que você precisava de um desodorante e comprei", "Sabia que você ia chegar tarde do trabalho, por isso fiz a janta, é só comer", ou ainda, "Olha, eu estou aqui embaixo do prédio que você trabalha, sabia que você ia enfrentar muito trânsito e resolvi te dar uma carona até em casa". Faça alguma coisa esperando algo em troca e estarás ferrado. Mais do que isso, estará fadado a sentir o incomodo de dar e não receber nada em troca.

Escrevo sobre isso porque passei por dias de angustia. Fiz e não recebi nada. Mesmo tendo crescido sob essa idéia de não esperar nada em troca. Porque na teoria está tudo pronto, li/ouvi, entendido. Mas e a prática? A prática é que são outras tantas.
Faz um certo tempo venho praticando a "não-cobrança-chata". Coloco dessa forma porque se cobramos somos chatos, e somos chatos porque o outro talvez nem saiba de onde venha esta cobrança. Eu mesma tenho uma lista de coisas que fiz nos últimos meses (sem contar lista de anos anteriores) e quando esperei ouvir - "tudo bem, você não chegou atrasada, você já trabalhou mais horas do que foi proposto. Você tem bônus" - não ouvi. Não ouvi e ouvi outra - "Vou chegar atrasada no trabalho, você está dez minutos atrasada". Lá nos meus pensamentos, eu pensava - "caramba, mas e as tantas horas a mais? E os sábados a mais? Não valeram de nada, é isso mesmo?". É isso mesmo minha cara. Para e pensa um pouco sua idiota. Além de ficar chateada com a situação, ainda me senti desrespeitada.
Ora, como exigir respeito das pessoas, quando você não faz valer as suas próprias vontades? Ou seja, quando você não se respeita? Foi então que eu me senti uma daquelas pessoas que se deixam pisar, que não tem culhão para sustentar aquilo que pensa.
Depois de muito pensar, eis que chego a conclusão que mesmo que você queira se doar, se você faz isso com muita frequência, o futuro é certo. Vai cair na chateação de se pegar em uma situação desequilibrada. Se o outro não enxerga o quanto você está fazendo, se ele não se doa também. Para tudo. Para porque o final não é um abraço e tapinha nas costas. A vontade e de sair gritando aos céus por que diabos as pessoas são abusadas, por que é que quando você da a mão elas querem o braço inteiro.

A solução que encontrei? Abusar da comunicação e expor que de sábado eu não posso trabalhar. Por quê? A resposta pode ser, porque eu preciso de tempo para fazer as minhas coisas. E se ainda assim houver insistência, use a comunicação para exigir retorno do outro. O retorno esperado. Também nada impede ceder, mas com muita cautela, com a cautela necessária para não se achar um monge. Porque a verdade é que esperamos algo em troca sim.

6.3.11

A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa.
- Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!"

(O Pequeno Príncipe - Antoine Sant Exupéry)


Abro o texto com uma frase do Pequeno Príncipe, foi um dos primeiros livros que minha mãe me deu, talvez porque na época não gostasse muito de ler e o livro é pequeno. Pequeno no tamanho, precisamos deixar isso bem claro. Essa frase citada acima fala sobre amigos, sobre a correria do dia a dia e a falta de disponibilidade para se fazer amigos. Fala também sobre como só conhecemos bem aqueles que cativamos e, em seguida, em outra parte do livro, sobre como somos responsáveis por quem cativamos.


Foi mais ou menos nessa época que a conheci. Lembro dos primeiros dias que conversamos, dias agitados, sem muito tempo para uma apresentação menos formal e mais amigável. Dizem que a primeira impressão é a que fica, mas acontece que não me lembro da primeira impressão e nem das primeiras. É que quando me dei conta éramos amigas, íamos almoçar juntas quando dava, quando não dava trocávamos conversa entre o meu horário de almoço e o dela.

Os dias passaram, lembro do desespero de vê-la chorar quando perdeu o seu avô e a vontade de colocá-la no meu colo. Acho que foram acontecimentos como esse que nos aproximaram. Assim como outros tantos, como quando eu era a que precisava de cuidados. Assim seguimos, nos dias animados éramos conversas fora e sorrisos; nos outros dias, nos ajudávamos.

Como disse um senhor na fila do Café Nero (o melhor de Londres, vale a pena experimentar!) o tempo passa rápido e já faz um tempo que construímos essa amizade. Ainda bem que os caminhos se cruzaram, já te agradeci por ser minha amiga?


Fica aqui um agradecimento público então: obrigada!



Ao som de Adele, o domingo termina. Mais um entre tantos que já se foram. Houve época em que domingos eram vistos com desespero, hoje não mais. A preocupação do que fazer com o domingo era muito mais agradável do que as preocupações que tenho hoje.

E descobrir Adele em dias que os pensamentos estão agitados (de tão preocupados) foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. O encantamento não ficou só para as músicas, mas para Adele, ela é dessas pessoas que me parecem delicadas, é fácil reparar em como ela agradece aos aplausos quando termina uma música. Com delicadeza e timidez.



Enquanto escuto suas músicas vou pensando.Estava pensando nas pessoas que gostaria de conversar, de falar o que tem me incomodado e o que tem me feito feliz.
Aquela menininha que se preocupava com os domingos - será que vou nadar ou tomar sorvete - às vezes reaparece. Reaparece pedindo cuidados, atenção, carinho; mas este cuidado pedido não pode ser dado agora a ela. Acontece que algumas pessoas que tinham esse cuidado e carinho com ela, não podem fazer nada por ela agora. Entre alguns motivos, aquela menina virou uma mulher e muitas das pessoas não fazem mais parte do seu caminho.

Assim ela segue, construindo seus dias, tentando encontrar o caminho dela, com a certeza de que tem muito por fazer...

O CD dela vai tocar a semana toda, porque tem feito meus dias mais bonitos e leves...Justificar

28.2.11

Perfume



Não lembro quando foi a primeira vez que comecei a me interessar por perfumes. Meu pai sempre me disse que eu era uma menininha tão cheirosa que não precisava de desodorantes, quanto mais de perfumes. Não tenho dúvidas que para ele sempre fui esta menina. Sorte eu tive de ter uma mãe que me ensinou a usar desodorantes, como uma pessoa normal. Pensar que eu poderia ser uma mulher com a crença de que não precisava de desodorantes é angustiante, além do que, colocaria todas as pessoas desse mundo longe de mim. Ninguém suporta mau cheiro.

Meu primeiro perfume foi o "Ops Azul" da Boticário, lembro de ter comprado com o dinheiro de umas aulas de matemática que dei. Usei durante anos, até que saiu de linha. Depois deste tive mais dois ou três. E hoje uso dois, um da Carolina Herrera e outro da Boss.

Também nunca fui de notar perfume de homens, que não fosse do meu pai e dos meus irmãos. Apesar de ser muito racional e querer explicação para tudo, eu sei, perfumes e o que eles despertam é completamente irracional. Mas um perfume tem me causado arrepios: Polo Azul.


A única coisa que eu desejo é que esta sensação não se perca juntamente com tantas outras que naturalmente se vão com o passar dos anos.

25.2.11

Tudo pela metade - texto velho mais recente do que nunca

Porque eu sou assim, pela metade. Se faço alguma coisa é pela metade, embora que o inteiro tenha um forte atrativo sobre mim.

Sou assim, pela metade na altura, pela metade nas atitvidades que me proponho a fazer, pela metade nos sentimentos. Pela metade. Poderiam me chamar de "metade" ao invés de Lhaís, seria mais adequado. Lhaís é um nome complicado que ninguém entende, é preciso falar uma (Lais), repetir duas ( Ah sim, Laissa), três ( Thais), quatro (Ilhais, com y né?!) , cinco ... n vezes. Parece que tenho a língua enrolada. Falaram-me algumas vezes que falo baixo. Mas não acredito que seja esse o problema, o problema está no ouvido de quem quer saber. Se pergunta, fique atento oras! Não é sobre isso que me ponho a escrever. Venho escrever sobre a incompletude,se é que existe essa palavra, se não existe acabo de inventar. Sou assim, pela metade. Sabe aquela pessoa que faz as coisas pela metade? Sou eu. É preciso dizer que não faço mal feito, isso pode dar confusão, só faço pela metade.

Ponho-me a escrever sobre isso, porque isso anda contribuindo para que cada vez eu me sinta pior Uma hora ou outra as pessoas te tacam na cara - Dá para fazer as coisas do começo ao fim? - as pessoas são assim (me incluo nelas) querem ver o final de tudo. Não gostam de coisas inacabadas. Querem ver o fim, seja onde raios esteja esse fim. Mas sou menos, embora me cobre muito. Sou muito exigente. Não parece, mas sou. Ficar mal com as atividades inacabadas é um ponto importante. Reflito, fico mal, levanto, procuro me reerguer e começar de novo ou começar de onde parei. Mas as pessoas não entendem, ela querem pessoas 100% em tudo. Tudo pela metade. O mais importante é saber que se eu quiser , faço as coisas por inteiro! Eu sou assim.